Pessoal,
Estou lendo um livro, chamado "Poder e Amor" escrito por Adam Kahane. Kahane é um dos sócio-fundadores da Reos Partners e está trabalhando há 20 anos com problemas complexos e mudanças sociais profundas.
Isso pode soar etéreo para muitos, mas não é. Todos nós conhecemos dezenas, senão centenas de problemas complexos. Vou citar alguns exemplos práticos que foram trabalhados pelo Adam Kahane e pela Reos Partners:
Mudança Climática no Canadá
Sistema de Saúde nos EUA
Impunidade na Argentina
Má-nutrição infantil na Índia
Conflitos violentos na Colômbia
Divisões sociais na Austrália
O livro do Adam Kahane trata das tentativas, de erros e de acertos na sua carreira de facilitador de mudanças sociais. Ele se baseia na pergunta, “Por que sempre empacamos nestes problemas?”
Com esse questionamento na mente, convido vocês a assistirem o vídeo abaixo. É um trecho do discurso do Martin Luther King, aquele mesmo sobre o qual todos nós já ouvimos falar: “I have a dream”. Está legendado!
E ai? Viu? Escutou? Se você não arrepiou em algum momento do vídeo, talvez você não tenha coração. Recomendo terapia... Você percebe como ele aborda o problema complexo dos direitos civis e a igualdade dos cidadãos nos EUA?
Adam Kahane diz que temos muito a aprender com o Martin Luther King Jr. porque ele soube articular exatamente duas forças que muitos consideram contraditórias: o Poder e o Amor. Essas palavras, extremamente amplas e ambíguas, foram escolhidas intencionalmente por Kahane ao intitular sua obra. Ele quer expandir nosso horizonte dogmático. Vejam só:
O campo do poder, como muitos de nós estudamos, está associado com conceitos individualistas: “meu desenvolvimento, meu poder e minha autodeterminação”. Isto até é meio banal para os estudantes de Relações Internacionais. Os conflitos entre Estados se inserem no campo do poder: os subsídios agrícolas norte-americanos, os conflitos árabe-israelenses, a matriz energética poluente da China, o programa nuclear do Irã, etc.
O campo do amor está relacionado a conceitos como: responsabilidade, sustentabilidade, ética, interconectividade, bem-estar mundial, humanidade. Todos nós já conhecemos este discurso. Muitos de nós nos defrontamos com estes conceitos diariamente. De cara, pensamos nas ONGs e nas Organizações Internacionais cobrando mudanças de governos e empresas.
Ambos facilmente se criticam, certo? Poder critica Amor por ser impraticável e irrealista. Amor critica Poder por ser irresponsável e opressivo. Muitas vezes, um olha para o outro e diz: não posso, não consigo, não quero negociar com você. A partir desse momento a estagnação é óbvia. Um nega o outro e empaca o sistema.
Mas, agora, vejam só o que faz de Martin Luther King um modelo a ser seguido:
Poder, quando entendido de maneira correta, é nada a não ser a habilidade de atingir objetivos. É a força que se requer para obter mudanças sociais, políticas e econômicas. (...) Precisamos nos conscientizar de que poder sem amor é imprudente e abusivo, e que amor, sem poder, é sentimental e anêmico. Poder, no seu melhor, é amor implementando as necessidades de justiça, e justiça, no seu melhor, é poder capaz de corrigir tudo que se contrapõe ao amor.
Gente, no verão de 1963, 250 mil pessoas se juntaram no Washington Memorial. 250 mil pessoas! E isso sem facebook para divulgar o evento. As palavras do Martin Luther King tocam pessoas e suas ações provocam mudanças. King não desperdiçou oportunidades de se aproximar do Nixon e depois do John Kennedy com o intuito de empoderar seu amor. Suas palavras pediam ação. Não é coincidência que um ano depois, o Ato de Direitos Civis foi assinado, criminalizando a discriminação e a segregação racial. Um ano depois!
Fica a Dica!
Obrigado, pessoal!
Bom domingo a todos
O que vocês acharam? Longo demais? Etéreo? Vago? Acendeu uma luz? Inovou? Interessou?







